Projecto de Reforço da Resiliência Comunitária para Segurança Alimentar e Nutricional em Cabo Delgado

O conflito no norte de Moçambique continua a comprometer a segurança alimentar em Cabo Delgado, onde o deslocamento generalizado, a interrupção dos meios de subsistência e o acesso humanitário limitado estão a agravar a insegurança alimentar aguda.
Os distritos de Balama, Chiure e Palma apresentam necessidades urgentes decorrentes da escassez imediata de alimentos, das opções limitadas de subsistência e da sobrecarga dos serviços públicos. Em Chiure, o distrito mais afetado e densamente povoado fora da faixa costeira, 166.938 pessoas (45%) estão na Fase 3 ou superior, incluindo 148.389 em situação de Crise e 18.549 em situação de Emergência. Balama, embora relativamente mais estável, ainda registra 44.300 pessoas (20%) na Fase 3 ou superior, indicando desafios persistentes no acesso a alimentos. Em Palma, 25.349 pessoas (30%) estão na Fase 3 ou superior, incluindo 21.124 em situação de Crise e 4.225 em situação de Emergência.
A Associação Protege, em parceria com a FAO e Governo de Moçambique, está a implementar o projecto “Reforço da Resiliência das Comunidades Vulneráveis para a Promoção da Segurança Alimentar e Nutricional em Cabo Delgado”, com duração de 4 meses (Abril – Julho de 2026), para cerca de 17000 beneficiários directos e indirectos, nos distritos de Balama, Palma e Chiúre, por meio das seguintes actividades:

  •  Mobilização, sensibilização, e cadastro de pequenos agricultores que se beneficiarão do projecto, de acordo com os critérios de vulnerabilidade estabelecidos.
  •  Distribuição de insumos agrícolas (sementes diversas e ferramentas agrícolas) aos pequenos agricultores beneficiários do projecto.
  • Instalação de pelo menos 4 Campos de Demonstração de Resultados (CDRs) em cada distrito, para servir de centro de treinamento em boas práticas agrícolas (GAP) e agricultura resiliente ao clima (CSA), garantindo a participação de 25 à 30 beneficiários.
  • Assistência técnica aos beneficiários, de forma individualizada, afim de garantir a implementação de boas práticas agrícolas (GAP) e agricultura inteligente face ao clima (CSA) nos seus campos de produção.

Ao fim da implementação, a Associação Protege espera que cerca de 17.000 beneficiários diretos e indiretos adoptem as práticas de Agricultura Inteligente face ao Clima (CSA) e Boas Práticas Agrícolas (GAP). Espera-se que estas técnicas sirvam de trampolim para fortalecer a Segurança Alimentar e Nutricional das famílias nos distritos de actuação, garantindo não apenas o aumento da produtividade e a resiliência contra choques climáticos, mas também o acesso a uma dieta mais diversificada e nutritiva.

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